Como começar a ganhar dinheiro com apps (o que eu respondi pra um dev estagiário)

Fala, pessoal!

Hoje um dev que ainda é estagiário me mandou mensagem. Disse que ficou com vergonha de perguntar no grupo, mas queria saber: como eu comecei a fazer apps que geram renda? Ele tem os projetos dele, mas não sabe por onde começar a vender.

Respondi no WhatsApp mesmo e, relendo depois, vi que tinha ali praticamente tudo que eu queria ter ouvido quando criei minha conta de dev da Apple. Então resolvi organizar aqui.

Primeiro, a real: nosso primeiro app não deu um real

Demorei anos pra ter tempo de subir alguma coisa. Nosso primeiro app foi o AbaetéFest, um guia de eventos e turismo de Abaetetuba. Hoje tem umas 17 mil pessoas usando.

Retorno financeiro? Zero.

Não tô falando isso pra desanimar ninguém. Tô falando porque ter usuário e ter receita são coisas diferentes, e ninguém te conta isso no começo.

O que gera retorno é exposição

A regra que eu tenho na cabeça o tempo todo é simples:

Mais gente vendo, mais gente baixando, mais gente comprando.

E dessa gente toda que vê o que você tá oferecendo, só uma fatia bem pequena vai pagar. Eu trabalho com algo entre 1% e 5%, que bate com os benchmarks de taxa de conversão do mercado: uns 2-3% é a média e 5% já é considerado excelente. Parece bobeira, mas isso muda como você planeja tudo.

Olha o funil do meu app de treino agora que tem mais gente chegando nele:

Funil do onboarding até a compra no app de treino: 78 pessoas começaram o onboarding, 34 viram o paywall e 3 compraram

  1. 78 pessoas — começaram o onboarding
  2. 34 pessoas — chegaram no paywall (43,59%)
  3. 3 pessoas — compraram (3,85%)

Então faz a conta ao contrário. Se eu quero umas 20 pessoas pagando, eu preciso de algo perto de 1.000 pessoas começando o onboarding. E pra ter 1.000 pessoas no onboarding, muito mais gente precisa ter visto o app em algum lugar.

É por isso que o trabalho de verdade não é só o código.

Resolva uma dor (imaginária ou não)

Pra gerar renda você precisa resolver uma dor, seja ela real ou imaginária. Geralmente é algo ligado a corpo, mente, performance, desejos ou medos.

O caminho que eu sigo:

  1. Achar um nicho.
  2. Ver quais são os top apps daquele nicho.
  3. Tentar roubar uma fatia deles, sabendo que tem uma multidão tentando fazer a mesma coisa.

Antes de começar qualquer coisa eu faço uma pesquisa desse tipo:

Estimativas de uma ferramenta de inteligência de mercado para o Befit: 50 mil downloads e 160 mil dólares de receita em agosto de 2026, 94% dos downloads no Brasil

Esse app de treino, o Befit, lançou tem um ano. Pelas estimativas da ferramenta, faz uns 160 mil dólares por mês com uns 50 mil downloads mensais, e 94% vem do Brasil. São estimativas, não números oficiais, mas servem pra uma coisa: provar que tem gente pagando naquele nicho. Se ninguém tá pagando pros top apps, dificilmente vai pagar pro seu.

Consistência: o pote de ouro tá no dia 120

Esse é o ponto que mais separa quem consegue de quem não consegue.

Cria as redes sociais, vai no Reddit e divulga tuas coisas todo santo dia. Muita gente desiste no dia 30. Mas às vezes o pote de ouro tá no dia 120 ou além, depois de fazer aquilo todo santo dia sem descanso.

Esse é o canal do YouTube ligado ao app de treino:

Visualizações do canal do YouTube de junho a setembro de 2026: 32,6 mil views no total, com os picos concentrados a partir do fim de agosto

Repara no gráfico. De junho até agosto é quase uma linha reta no chão. Eu comecei a ser consistente de verdade em agosto, postando todos os dias sem falhar. A partir daí a coisa começou a pegar. Mais engajamento e, consequentemente, mais gente vendo.

Não é fácil. É chatíssimo pensar e manter várias redes sociais ao mesmo tempo. O que me ajuda:

  • Gerenciador de senhas, pra não se perder em tanta conta.
  • IA ao máximo pra otimizar esse trabalho de conteúdo.
  • Formatos variados: vídeo no YouTube, TikTok e Instagram, guias em forma de post e posts comparando o meu app com os similares.

O ideal hoje é atacar coisas que geram ganchos virais, seja por texto, vídeo ou foto. Mas ganchos que levem tráfego pro app, não só like.

Métrica em tudo que você subir

Toda coisa que você colocar no ar pra outras pessoas usarem precisa ter métrica. E não tô falando só de painel de admin.

É botar ferramenta que te ajuda a montar dashboards e entender o uso do app, o onboarding e tudo mais:

E aprender a parte de busca também: Google Search Console e Bing Webmaster Tools. Tráfego orgânico é o tráfego que você não paga.

O dev que me mandou mensagem disse uma coisa ótima: ele tinha um widget pra ver o uso de cota dos planos, e 5 pessoas deram feedback. Ele chutava que umas 40 tinham usado. Com métrica, você não chuta.

E os ads?

Dá pra usar tráfego pago no futuro, rodar ads pra entender o público. Mas vou contar como foi o meu primeiro.

Meus primeiros R$ 300 foram pro TikTok Ads. Retorno: nenhum.

Depois ficou claro o motivo. O público que o TikTok me entregou era na grande maioria brasileiro e usava Android. O app na época era só pra iPhone.

Doeu, mas esse é o custo de entender as coisas e não depender de terceiros. Errando que se aprende.

A diferença entre a gente e os grandes é que eles têm grana pra gastar sem sofrer com isso. Mais dinheiro, mais ads, mais gente vendo, mais gente pagando. É assim que a máquina digital funciona.

Não se compare com quem faz 10k dólares por mês

Procura gente que começou de um ponto parecido com o seu. Quem faz 10k dólares por mês é uma parcela minúscula de todos os devs que estão na loja.

E muitos deles têm problema de churn. Se a máquina de ads parar, para de entrar usuário novo.

Tem uns cases bons no Twitter que eu acompanhei desde o começo. Esse do Gabriel Buzzi conta como um app de enxoval pra mães de primeira viagem passou de 15 mil usuárias e mil assinantes em menos de 2 meses. É uma história massa, mas vale olhar o contexto: o sócio dele tem uns 200 mil seguidores. Com audiência fica muito mais fácil.

Outros que eu gosto de acompanhar:

Eu me acho bem diferente deles, mas dá pra tirar coisa boa do jeito que eles fizeram as coisas no último ano, que mudou a vida deles. A ideia é abstrair o esqueleto e aplicar no seu contexto.

Também tô na comunidade do Binhara, onde tem uma galera fazendo dinheiro e compartilhando ferramentas e jeitos de rodar ads. E se quiser um vídeo pra começar, esse do Arthur Spalanzani é bom: I built a PROFITABLE app in 72 hours. Depois busca outros canais sobre como ser lucrativo com apps.

Resumindo

  1. Exposição gera retorno. Só uns 1-5% de quem vê vai pagar.
  2. Resolva uma dor e pesquise se já tem gente pagando naquele nicho.
  3. Consistência todo santo dia. O dia 30 é onde a maioria para.
  4. Métrica em tudo, desde o primeiro usuário.
  5. Ads só depois de entender o público. Os meus R$ 300 que o digam.
  6. Compare-se com quem começou do seu ponto, não com o 0,1%.

E o mais importante: quanto antes você começar, melhor pode ser. Não quer dizer que vai ser, mas se eu tivesse começado no dia em que criei minha conta na Apple, tudo poderia ter sido diferente.

É isso, pessoal! Se você tá nesse começo também, me conta o que tá construindo no Twitter ou no LinkedIn.

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